Roberto Carlos e a espetacularização da deficiência

Ontem (19) o cantor Roberto Carlos completou 80 anos. Um dos nomes mais importantes da história da música, por isso, considerado rei por alguns que devem entender de música.

Como eu não entendo, prefiro falar de um tema que eu conheça. O 80º aniversário de Roberto Carlos, trouxe à tona uma questão considerada por muitos nebulosa, o fato de Roberto ter uma deficiência.

Já abordei isso lá na Deficiência em Foco no quadro “Vc Sabia”, mas não me aprofundei pelo fato de que há poucas informações sobre a razão da sua deficiência. O que sabemos é que ele sofreu um acidente na infância que ocasionou a amputação de parte de sua perna direita.

Mas a questão trazida agora é “Por que Roberto Carlos não fala da sua deficiência?” apesar das polêmicas a explicação é muito simples: Porque ele não quer!

Sim, talvez você esperasse esta resposta, mas ela é absolutamente comum e compreensível. Assim como eu falo da minha e de outras deficiências boa parte do meu dia, ele tem direito de não falar nada e se preservar.

Pode haver traumas, medo, vergonha… Pode! Mas não somos nós que vamos julga-lo por isso. Essa espetacularização da deficiência feita por muitos nas redes sociais, em nada contribui para a inclusão, ao contrário, apenas atrapalha.

O primeiro passo para incluir é respeitar. E quem questiona e até cobra o Roberto Carlos para falar da sua deficiência não está respeitando a sua escolha pelo silêncio. E com certeza, não está incluindo.

Se você quer de fato falar de inclusão, respeite as opiniões diferentes, respeite o direito ao silêncio assim como muitos respeitam a sua voz! Forçando alguém a falar sobre algum assunto que não deseja, você não está trabalhando pela inclusão, você está apenas sendo mais um capacitista que não respeita a diversidade de pensamento.

Havan é condenada por assédio moral a empregado com deficiência intelectual

A 5ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou a Havan a pagar indenização de R$ 100 mil a um empregado com deficiência intelectual por assédio moral. As ofensas, baseadas na sua condição de saúde, eram praticadas por seguranças de uma loja da rede em Florianópolis (SC). Por maioria, o colegiado entendeu que o valor, superior ao de outras situações de assédio moral, é justo em razão da gravidade do caso.  

O empregado trabalhou na Havan de 2002 a 2014. Contratado na cota de pessoas com deficiência como carregador de carrinhos, ele disse que também limpava banheiros, descarregava produtos e capinava o jardim nos arredores da loja. Na reclamação trabalhista, relatou que era alvo constante de agressões verbais e psicológicas da equipe de segurança e pediu a rescisão indireta do contrato de trabalho por falta grave do empregador e indenização por danos morais.

O juízo da 2ª Vara do Trabalho de Florianópolis deferiu a rescisão indireta e condenou a empresa ao pagamento de R$ 500 mil. A decisão foi baseada em depoimento de uma segurança, cujo conteúdo não foi superado pela defesa da empresa.

Conforme seu relato, dois seguranças chamavam-no de “maluco e retardado”, focavam nele nas filmagens com as câmeras de monitoramento para fazer zombarias e utilizavam aparelhos de comunicação (walkie talkie) em volume alto, para que o chefe, os demais seguranças e o próprio carregador escutassem as agressões. Consequentemente, ele era visto nos cantos da loja chorando de cabeça baixa. 

Segundo a testemunha, o chefe da segurança consentia com as agressões e obrigava o empregado a buscar carrinhos no estacionamento durante fortes chuvas, sem que houvesse necessidade. Ela ainda ouviu o chefe dizer para ela limpar uma sala para se acalmar e disse que a zombaria era comunicada a novos empregados também.

O Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC) manteve a rescisão e o reconhecimento do assédio moral, mas reduziu a indenização para R$ 100 mil, levando em conta valores arbitrados em casos análogos e o último salário da vítima, de R$ 1.015.

O relator do recurso de revista da Havan, ministro Breno Medeiros, votou pela redução da indenização para R$ 20 mil, com base em valores deferidos pelo TST em outros casos de assédio moral. Prevaleceu, no entanto, a divergência apresentada pelo ministro Douglas Alencar pela rejeição do recurso. Ele explicou que a intervenção do TST para alterar o valor arbitrado a título de dano moral só é pertinente nas hipóteses em que o montante é visivelmente ínfimo ou, por outro lado, bastante elevado.

Ele chamou a atenção para a condição do empregado e para a forma como foi praticado o assédio moral. Trata-se, a seu ver, de um caso diferenciado, que possibilita a análise do problema da discriminação sofrida pelas pessoas com deficiência no mercado de trabalho. “No caso presente, o trabalhador foi tratado como um verdadeiro tolo”, afirmou. 

O ministro lembrou que há decisões do TST que estabeleceram montantes inferiores para as hipóteses de assédio moral em que o trabalhador é submetido a tratamentos vexatórios e humilhantes. Todavia, no caso, ele considerou as particularidades do caso e o objetivo da condenação de induzir a empresa a adotar políticas internas de não discriminação “contra quem quer que seja, em especial, quando o trabalhador tem deficiência intelectual”, concluiu.

Fonte: Conjur

Cinema Cego está com inscrições abertas para o curso de audiodescrição 2.0

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem uma população de 6,5 milhões de pessoas com alguma deficiência visual. Sendo que 528.624 são totalmente cegas, e outras 6.056.654 pessoas possuem baixa visão ou outra dificuldade de enxergar.

Para estas pessoas a audiodescrição é fundamental, visto que é um recurso capaz de tornar acessível qualquer tipo de conteúdo ou ambiente por meio da voz. Mas e você sabe como fazer uma audiodescrição de qualidade e do jeito certo?

E foi buscando solucionar essa questão que nasceu a Cinema Cego, uma startup que tem o propósito de democratizar ao acesso à educação, cultura e mercado de consumo às pessoas com deficiência visual (cegos e baixa visão). Clique aqui e conheça a história da Cinema Cego.

E o curso de audiodescrição 2.0 foi criado para te ensinar tudo sobre o universo da audiodescrição de forma  criativa e inovadora. O curso para audiodescritor roteirista é 100% online, com 60 horas e com certificado.

E o mais legal é que todo mundo que tem interesse em construir um mundo mais acessível e inclusivo pode se inscrever e torna-se um audiodescritor.

Conheça a ementa do curso:

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Nova Petrópolis sediará Mundial de Futsal para Surdos

 Um evento de porte internacional será realizado no município em novembro de 2023. O 5º Campeonato Mundial de Futsal para Surdos foi confirmado para ser realizado no Jardim da Serra Gaúcha pela Confederação Brasileira de Desportos para Surdos (CBDS), com apoio da ICSD – International Committee of Sports for the Deaf (Comitê Internacional de Esportes para Surdos). A competição está prevista para acontecer de 10 a 19 de novembro de 2023 e deverá reunir cerca de 500 atletas de mais de 20 países. A seleção brasileira feminina venceu a competição em 2019, na Suíça.

De acordo com a secretária de Desporto, Gislaine Leal, e o Coordenador de Desporto, Luiz Port, sediar o Mundial é motivo de muito orgulho e alegria para o município. Serão 16 equipes masculinas e 16 femininas, e o objetivo é que todos fiquem hospedados no município. A previsão, entre atletas, comissões técnicas e familiares, é de que cerca de 800 pessoas venham para o evento. “Tivemos o privilégio de sermos escolhidos e agora vamos trabalhar para deixar tudo pronto, com antecedência, para o Mundial. Queremos que todos fiquem aqui, será algo grandioso”, disse a secretária.

A escolha por Nova Petrópolis foi intermediada pelo professor Mauro Amâncio da Silva, o Mauro “Caxias”, da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Mauro foi treinador da seleção masculina de surdos por oito anos e participou de dois mundiais. Agora, ele fará parte da presidência do evento e indicou o município como sede, pelo potencial turístico e estrutural de Nova Petrópolis. Como Caxias já será a sede das Surdolimpíadas em 2022 e Nova Petrópolis se mostrou interessada em ser parceira no evento, a negociação foi facilitada. “O Mauro me contatou e perguntou se tínhamos interesse. Falei com a secretária e de imediato ela gostou da ideia. Conversamos com o prefeito e assim foi evoluindo as tratativas para trazer o evento para cá”, contou Port. Entre os países concorrentes, estavam fortemente na briga Alemanha, Portugal e Argentina.

Coordenador do Desporto, Luiz Port, e secretária de Desporto, Gislaine Leal (Créd.: Dário Gonçalves)


Adaptações

Para receber o Mundial, uma das exigências era de que houvessem quadras com medidas oficiais. Segundo Port, a quadra do Colégio Frederico Michaelsen possue essas medidas e a do Colégio Padre Werner precisa de apenas algumas adaptações para chegar às medidas. Além disso, Leal informou que será feito um estudo para definir o que será necessário reformar e adaptar para receber os jogos e os treinamentos.

“Com exceção do Festival Internacional do Folclore, nosso último evento internacional foi o revezamento da tocha olímpica, em 2016. Agora, teremos dois anos para nos prepararmos para este mundial, que trará visitantes do mundo inteiro. É um privilégio”, destacou a secretária.

Repercussão Internacional

O site do Comitê Internacional de Esportes para Surdos já divulga Nova Petrópolis como sede oficial. Em inglês, a divulgação faz um breve resumo sobre o município, destacando a descendência alemã da população e tendo no turismo a principal atividade econômica, seguida de confecção de roupas de lã, pecuária leiteira e fabricação de calçados.

O cartaz do mundial também já foi divulgado, destacando o nome do município, e bandeiras de países como Brasil, Alemanha, Espanha, Argentina, Itália, Portugal, Uruguai, Chile, Gana, Paraguai, entre outros.

Pôster do mundial / Divulgação

Assista os gols da vitória do Brasil no mundial de 2019

Reportagem: Jornal O Diário de Nova Petrópolis/RS

Escrita pelo jornalista: Dário Gonçalves

Cientista lança Manual Raro XLH com abordagem interdisciplinar sobre doenças raras, XLH’s e pessoas com deficiência

Uma das principais ferramentas para a inclusão é a informação. E pensando nisso, a bióloga, mestra e cientista rara Vanessa Giovana desenvolveu o Manual Raro XLH: o primeiro manual XLH (confira como foi a live de lançamento) para o Brasil e o mundo a fim de auxiliar pessoas com doenças raras, XLH, Pessoas com Deficiência, estudantes e profissionais da saúde – algo pioneiro no universo dos raros.

O manual possui 54 páginas e foi elaborado em parceria com o Instituto Vidas Raras, contando com a contribuição de profissionais da área da saúde e revisão técnica de uma médica endocrinologista Especialista em Doenças Osteometabólicas, apresentando assim uma abordagem diferenciada sobre o XLH. Desde a explicação conceitual com termos técnicos adequados a uma linguagem acessível, cuidados, direitos, autoaceitação, dicas sobre as vivências compartilhando aprendizados e o capacitismo. Desta forma, ele se posiciona como um guia principal e inovador publicado de forma gratuita para a comunidade com doenças raras, XLH’s e pessoas com deficiências.

Uma doença rara é definida como aquela que acomete 65 pessoas a cada 100 mil nascidos – 1,3 a cada 2.000 pessoas segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), conceito adotado pelo Ministério da Saúde do Brasil. O XLH – Hipofosfatemia ligada ao cromossomo X (baixo fosfato no sangue-ossos) é uma doença rara com prevalência estimada de 1:25.000 (um a cada 25 mil indivíduos nascidos), que não tem cura, uma condição genética e em alguns hereditária, de nascença, crônica e progressiva. Que ocasiona uma deficiência física, principalmente, caracterizada por mobilidade reduzida e marcha manca, deformidades nos ossos (maior parte inferiores), baixa estatura, fraturas, dores crônicas entre outros sintomas por ser sistêmica.

Sobre a autora:

Vanessa Giovana é pesquisadora de XLH, Líder da Comunidade Brasileira de XLH e da Plataforma One XLH Voice (Uma Voz para XLH), Pesquisadora Colaboradora na Lainter – Liga Acadêmica de Educação Interdisciplinar em Saúde, Integrante Colaboradora da Equipe de Comunicação da XLH Alliance Internacional e Membro do Instituto Vidas Raras. Também ministra palestras e consultorias, organiza eventos e elabora conteúdo digital bem como escreve ebooks. Vanessa também é idealizadora e coordenadora do XLH Day Online em parceria com a Ladora e o Vidas Raras, evento dedicado a discussão sobre o XLH, com uma abordagem interdisciplinar reunindo pessoas de todo o país para conversar sobre as diferentes ramificações da doença rara e sua interpretação social. Relembrando aqui que você pode ter acesso a primeira edição desse evento no Canal da Borboleta no YouTube, clicando aqui.

Para Vanessa Giovana, o Manual Raro XLH é “uma inovação no mundo raro, por que é escrito por uma paciente, mas que também é profissional da saúde e pesquisadora da sua própria condição. Isso trás uma forma muito humanizada desse livro digital.”

E destaca “quando uma pessoa recebe um diagnóstico de uma doença rara, ela passa de um luto para uma vida de luta. A média para obter um diagnóstico correto no Brasil é de 4 a 7 anos, e uma das maiores dificuldades dos raros é a falta de informação confiável sobre sua condição, não apenas necessariamente a conceituação técnica que muitas vezes não é compreendida por serem termos difíceis. Mas, sobre tudo, de ter acesso a diversas vivências de uma pessoa que sozinha desbravou caminhos devido sua busca e pesquisa, e com isso decidiu compartilhar com toda comunidade para que as pessoas que acabaram de ter um diagnóstico ou mesmo já convivem com a doença, possam conhecer seus direitos, facilidades e dicas importantes para tornar seu caminho menos árduo e leve. Meu intuito também é inspirar outras pessoas que convivem com alguma doença rara e que são da área da saúde para que despertem e também escrevam seus próprios manuais abordando sua condição a fim de compartilhar conhecimento e dividir com as demais pessoas para que elas se sintam menos perdidas e sozinhas. Essa foi a primeira edição do manual e que já tenho muitos novos conteúdos em mente para a segunda edição.” Revela.

O manual está disponível gratuitamente clicando aqui, basta efetuar o cadastro e baixar o manual. “Esperamos com isso trazer luz a todos em forma de conhecimento, por que a informação transforma vidas raras.” Finaliza.

Influencer Ivan Baron lança guia anticapacitista

Ivan Baron é um dos principais influencers com deficiência no Brasil. Com mais de 70 mil seguidores no Instagram e muito bom humor, Ivan da aula de inclusão nas redes sociais. E um dos principais assuntos abordados por ele é o capacitismo.

E recentemente ele lançou um e-book chamado “Guia anticapacitista” onde ele aborda de maneira didática, inclusiva e divertida as faces do capacitismo. Gostou? Quer adquirir e aprender mais sobre capacitismo, clique aqui  e adquira o Guia.

Conheça Ivan Baron

Você sabe o que é capacitismo

Após grave acidente jovem faz vaquinha online para conseguir comprar prótese

O jovem Lucas Cavalheiro, de 22 anos, viu sua vida mudar completamente no dia 10 de outubro de 2020. Após um acidente de moto, Lucas passou por uma série de procedimentos que culminaram na amputação de sua perna esquerda.

“sofri um acidente de moto, no qual quebrei a perna em 6 pedaços (3 no fêmur e 3 na tíbia) e acabei tendo fratura exposta onde perdi 75% do sangue. Fui encaminhado ao hospital de Gramado com urgência e lá passei por uma cirurgia com 6 horas de duração e, ao final dela, os médicos falaram aos meus pais que eu corria risco de vida e de amputação da perna. Fui colocado em coma induzido por 10 dias, pois meu estado era crítico e, depois disso, fiquei hospitalizado até o dia 24 de outubro no hospital de Gramado. Após isso, fui transferido para o hospital de Três Coroas, no qual fiquei hospitalizado durante 3 dias.” Conta.

Após isso, Lucas e a família receberam a notícia sobre a amputação “Após dar entrada no HPS, os médicos disseram que, por minha perna estar com uma infecção grave, ela teria que ser amputada. Então os médicos chamaram meus pais para, assim, confirmar a amputação, pois a infecção podia generalizar e eu vir a óbito. Dias após a cirurgia, foi constatado que eu estava com COVID-19, sendo assim fui transferido ao Hospital Universitário de Canoas (HU), onde fiquei em um quarto isolado em que meus familiares só podiam entrar tomando todas as medidas de prevenção.” Relata.

O desafio de Lucas agora é seguir com o tratamento fisioterápico para fortalecer o coto e, conseguir arrecadar R$ 31.500,00 para aquisição de uma prótese, o que o faria voltar a ter uma rotina como tinha ante do acidente “quero voltar a trabalhar, estudar e me divertir, viver a vida sem limitações.” Afirma.

Para arrecadar o dinheiro Lucas lançou uma vaquinha online. A contribuição também pode ser feita através de transferência bancária diretamente para Lucas para a conta abaixo:

Lucas Eduardo Cavalheiro

CPF: 037.327.500-51

Agência: 0001

Conta: 20834408-0

Banco 260 – Nu Pagamentos S. A.

Chaves PIX:

CPF: 037.327.500-51

Celular: (51) 98050-6002

E-mail: lucaseduardocavalheiro1@gmail.com

Ativismo, representatividade e luta: Leandrinha Du Art

Durante muito tempo ter uma deficiência era sinônimo de esquecimento, pena e outros sentimentos oriundos da falta de conhecimento. Mas, com o passar dos anos e a criação de políticas públicas de inclusão e acessibilidade às pessoas com deficiência começaram ocupar seu espaço na sociedade.

Leandrinha está incluída nesse universo, a luta, as redes e a vontade de transformar a realidade marcam a vida desta mineira de 23 anos, que tem Síndrome de Larsen, uma doença congênita popularmente conhecida como artrogripose. Leandrinha é uma mulher trans, palestrante, fotógrafa, mídialivristra, produtora, blogueira, colunista do Mídia Ninja e militante das causas da Pessoa com Deficiência e LGBT.

A deficiência e a sexualidade

Conviver com uma deficiência nem sempre é uma tarefa fácil, pois é um mundo de constantes descobertas e desafios, entre eles está a sexualidade “Foi complicado pra mim me entender como pessoa com deficiência e entender a minha sexualidade.” Explica.

Para Leandrinha o primeiro passo foi se aceitar, segundo ela, não era fácil encarar o espelho “Primeiro tive a dificuldade de me olhar no espelho e me entender enquanto um corpo torto, um corpo limitado, apontado pela sociedade.” Conta.

Entre tantos desafios enfrentados um deles era entender o próprio corpo “O primeiro desafio foi me entender enquanto um corpo com deficiência.” E também as dificuldades de achar seu lugar no mundo “O mundo que eu estava inserida, não estava parado para a minha deficiência.” Explica.

A família teve papel fundamental na aceitação e na descoberta da sexualidade de Leandrinha, vinda de uma família simples e da zona rural, ela tinha receio de falar sobre a sexualidade com eles, mas a aceitação foi total “Quando eu me entendo como uma mulher trans, fica muito claro como a minha família me ama.” Conta.

Outro fator que precisou de muito apoio da família foi no tratamento da síndrome, pois foram muitas cirurgias e muitas viagens a São Paulo para isso “passei por mais de 24 cirurgias pra correção das minhas pernas.” E o amadurecimento fez parte desse processo, inclusive, pelo fato de ter consciência de não andar “nunca foi meu sonho andar, nunca me imaginei andando. Consigo chegar onde eu quero chegar do jeito que eu estou.” Relata.

Representatividade

Mas, como a própria Leandrinha disse é preciso lutar e sonhar e para isso basta acreditar “eu sou muito satisfeita, o que eu sonhei pra mim, eu consegui alcançar.” Afirma.

A luta pela representatividade é diária, e para isso é preciso enfrentar vários desafios, inclusive a falta dela, de acordo com Leandrinha, ela não teve referências, mas hoje é uma referência no meio da pessoa com deficiência “ser hoje o rosto referência nas causas da pessoa com deficiência e LGBT´s tem um papel fundamental. Eu não tive referências.” Explica.

Essa luta vai muito além da internet, ela é diária e está em todos os locais, desde dentro da própria casa até o transporte, escolas e ruas. E ter alguém que inspire, informe e encoraje a lutar faz muita diferença, segundo Leandrinha seus relatos “Fazem com que minha história conte outras histórias”, a presença das pessoas com deficiência e LGBT´s em todos os espaços abre campos de debate e participação “podemos sim ocupar todos os espaços e ser como quisermos ser”, outro recado importante da Leandrinha é a vontade de vencer qualquer adversidade “resolvi andar de mãos dadas com as minhas adversidades”. Conta.

Presença da Pessoa com Deficiência na mídia

A mídia além de viver da classificação da pessoa com deficiência, cheia de capacitismo, não da espaço para profissionais com deficiência ocuparem papéis de protagonismo “Temos pouquíssimas pessoas com deficiência na mídia e não é por falta de preparo”, afirma.

Mas, com a internet os campos são infinitos e as oportunidades se multiplicam, segundo Leandrinha, é fundamental que se crie conteúdo e que as pessoas com deficiência tenham voz “se não somos ouvidos pela Globo que a gente mesmo produza e propague nosso material.” Explica.

As mídias sociais e outras ferramentas são importantes nesse processo de informação e construção de ideias e, principalmente, na união das pessoas com deficiência “não somos uma parte da sociedade a gente é um todo também.”

Para Leandrinha a presença na mídia, passa pela qualidade das produções e pelo entendimento das lutas “são poucos que escrevem e são formadores de opinião e poucos que são engajados na luta das pessoas com deficiência.” Relata.

A luta deve ser por justiça, oportunidades, representatividade e também por esclarecimento de que a pessoa com deficiência tem os mesmos direitos de todos “Se eles podem, eu também posso e a luta deve ir além de corrimão e rampa”. Afirma.

O futuro do país

O engajamento de Leandrinha vai além das redes, nessa eleição, ela foi candidata a deputada federal pelo Psol, alcançando a marca de 4.466 votos, mas mais importante do que a votação, foi a mensagem e a semente plantada e a representatividade. Sobre o cenário nacional ela demonstra preocupação “infelizmente já elegemos Bolsonaro e isso é assustador, é um risco, precisamos ficar ainda mais atentos e em cima dos nossos direitos.” Alerta.

E como recado final Leandrinha deixou o mantra que moverá a resistência e a fiscalização do novo governo “Literalmente, ninguém solta a mão de ninguém”. Finaliza.

Matéria publicada originalmente em novembro de 2018

ONDE ESTÃO AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA DO BBB?

Todo ano nos fazemos essa pergunta, né? Se por pensar que tenha alguém com deficiência na casa, ou mesmo por pensarmos que ter alguém lá seria inclusivo. Sinceramente, acredito que nenhuma ou nem outra coisa aconteceria.

Talvez quando falemos em ter uma pessoa com deficiência no Big Brother Brasil, você se lembre do Fernando Fernandes, paratleta e influencer com deficiência, mas na época em que ele participou em 2002, ele ainda não tinha sofrido o acidente que o tornou pessoa com deficiência, fato ocorrido em 2009.

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No entanto, já tivemos uma representante, que foi a Marinalva de Almeida, que na época tinha 39 anos e foi destacada como paratleta e modelo. Ela é uma mulher com amputação na perna esquerda.

Mas foi só ela e lá na edição 17. Desde então nunca mais tivemos a cogitação de uma pessoa com deficiência no programa. Seria uma espécie de capacitismo? Seria desinteressante ter uma pessoa na cadeira de rodas, de muletas ou com paralisia na casa mais “vigiada” do Brasil? Seria um erro mercadológico, pois considerando que existem 45 milhões de brasileiros com deficiência e que poderiam se sentir representados e até ser decisivos numa votação?

De fato, o BBB não é interessando em corpos com deficiência, pois é simples de entender que o programa atende a maioria e a maioria ainda considera a deficiência como uma tragédia pessoal e social. É preciso ser mercadológico, comum, geralzão é preciso atender e, sobretudo, domar a massa.

Além disso, o BBB não é lugar para nós! Um ambiente dominado pelo senso comum, por opiniões rasas e muitas vezes sem nexo, apenas para, novamente, domar a massa. Não poderíamos ter alguém no BBB que quisesse realmente discutir inclusão, acessibilidade, oportunidades ou mesmo combater o maldito discurso de superação.

Uma pessoa com deficiência no BBB seria facilmente derrubada pelo capacitismo que reina no senso comum.

Em que fase da vacinação estão as pessoas com deficiência? Veja como cada Estado definiu

Enfim a vacina chegou! E como ficam as pessoas com deficiência? Fizemos um levantamento de estado por estado para entender o lugar onde ficamos classificados. E vale lembrar que inicialmente, nós pessoas com deficiência, não estávamos inclusos no Plano Nacional de Vacinação, após a pressão de entidades e representantes da causa, fomos inclusos no grupo de comorbidades.

No entanto, essa decisão não cumpre o que determina a Lei Brasileira de Inclusão que determina que todas as pessoas com deficiência têm prioridade no acesso a serviços de saúde entre outros.

Art. 8º  É dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com deficiência, com prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, à educação, à profissionalização, ao trabalho, à previdência social, à habilitação e à reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura, ao desporto, ao turismo, ao lazer, à informação, à comunicação, aos avanços científicos e tecnológicos, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre outros decorrentes da Constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo e das leis e de outras normas que garantam seu bem-estar pessoal, social e econômico.

Art. 9º  Nos serviços de emergência públicos e privados, a prioridade conferida por esta Lei é condicionada aos protocolos de atendimento médico.

Com a chegada da vacina, novamente, reacendeu a necessidade de entender onde os estados colocaram as pessoas com deficiência. Veja a situação de cada Estado:

Plano Nacional de Imunização:

1ª fase – trabalhadores da saúde, população indígena em seus territórios, pessoas com deficiência institucionalizadas e pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas.

2ª fase – pessoas de 60 a 74 anos.

3ª fase – pessoas com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da doença, como as que têm doenças renais crônicas e cardiovasculares.

4ª fase – professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e detentos. Clique aqui e leia mais.

Região Norte:

Acre (AC): O Acre contará com cerca de 500 mil doses de vacina produzidas pela Fiocruz, que serão enviadas pelo Ministério da Saúde para imunizar os grupos prioritários que são: trabalhadores da saúde, educação, forças de segurança e salvamento, pessoas acima de 60 anos (divididas por fase e faixa etária), indígenas, pessoas com comorbidades, pessoas com deficiências permanentes severas, povos e comunidades tradicionais ribeirinhas, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, transporte aéreo e portuários; e, ainda, população privada de liberdade e funcionários desse sistema. Clique aqui e leia mais.

Amapá (AP): Outros grupos (após a 4ª fase): Trabalhadores dos transportes: coletivo rodoviários, metroviários, aéreo e portuários; povos e comunidades tradicionais ribeirinha; pop. Privada de liberdade; Pessoas com deficiência permanente severa. Clique aqui e leia mais.

Amazonas (AM): seguirá o plano nacional. Clique aqui e leia mais.

Pará (PA): 4º fase: trabalhadores da educação, forças armada, funcionários do sistema de privação de liberdade; população privada de liberdade; Pessoas com deficiência permanente severa. Clique aqui e leia mais.

Rondônia (RO): Fase 4: Professores, funcionários de escola, profissionais de Segurança Pública, forças armadas, forças acessórias, apenados, funcionários do sistema prisional, quilombolas, moradores de rua e *portadores de deficiência (o correto é pessoa com deficiência). Clique aqui e leia mais.

Roraima (RR): Não há um plano para pessoas com deficiência no momento. Clique aqui e leia mais.

Tocantins (TO): Não há um plano para pessoas com deficiência no momento. Clique aqui e leia mais.

Região Nordeste:

Alagoas (AL): Não há um plano para pessoas com deficiência no momento.

Bahia (BA): Fase 4: professores, profissionais das forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e a população privada de liberdade, Pessoas com deficiência permanente severa, pessoas com deficiência institucionalizadas. Clique aqui e leia mais.

Ceará (CE): 4ª fase: trabalhadores da educação, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional, população privada de liberdade, Pessoas com deficiência permanente severa, pessoas em situação de rua, transportadores rodoviários de cargas, trabalhadores de transporte coletivo. Clique aqui e leia mais.

Maranhão (MA): Não há um plano para pessoas com deficiência no momento. Clique aqui e leia mais.

Paraíba (PB): seguirá o plano nacional. Clique aqui e leia mais.

Pernambuco (PE): 4ª fase: Pessoas com deficiência permanente severa, trabalhadores da educação, força de segurança e salvamento, caminhoneiros, trabalhadores de transporte coletivo rodoviário e metroferroviário de passageiros, trabalhadores de transporte aéreo, trabalhadores de portuários, população privada de liberdade, funcionários do sistema de privação de liberdade, pessoas em situação de rua. Clique aqui e leia mais.

Piauí (PI): seguirá o plano nacional. Clique aqui e saiba mais.

Rio Grande do Norte (RN): Não há um plano para pessoas com deficiência no momento. Clique aqui e leia mais.

Sergipe (SE): Não há um plano para pessoas com deficiência no momento. Clique aqui e saiba mais.

Região Centro-Oeste:

Goiás (GO): Terceira fase: pessoas com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da Covid-19 (como pacientes com doenças renais crônicas e cardiovasculares). (não é específico). Clique aqui e leia mais.

Mato Grosso (MT): seguirá o plano nacional. Clique aqui e leia mais.

Mato Grosso do Sul (MS): Na fase 3, constam pessoas com comorbidades que tenham maior chance de agravamento da doença. (não é específico). Clique aqui e leia mais.

Distrito Federal (DF): Os primeiros a serem imunizados serão os profissionais da saúde; idosos acima dos 60 anos que estão em instituição de acolhimento ou asilos e pessoas com mais de 18 anos com deficiência física que vivem nessa mesma condição, bem como seus cuidadores; e a população indígena. Clique aqui e leia mais.

Região Sudeste:

Espírito Santo (ES): seguirá o plano nacional. Clique aqui e leia mais.

Minas Gerais (MG): seguirá o plano nacional. Clique aqui e saiba mais.

Rio de Janeiro (RJ): Quarta fase: Trabalhadores da educação, profissionais das forças de segurança, população em situação de rua, funcionários do sistema prisional, presos, pessoas com deficiência, trabalhadores de serviços essenciais. Clique aqui e leia mais.

São Paulo (SP): seguirá o plano nacional. Clique aqui e leia mais.

Região Sul:

Paraná (PR): Não há um plano para pessoas com deficiência no momento. Clique aqui e saiba mais.

Rio Grande do Sul (RS): Não há um plano para pessoas com deficiência no momento. Clique aqui e leia mais.

Santa Catarina (SC): Não há um plano para pessoas com deficiência no momento. Clique aqui e saiba mais.

Porém, não temos nenhuma certeza sobre quando seremos vacinados, até porque na noite de ontem (20), uma decisão do STF negou a inclusão das pessoas com deficiência em grupos prioritários. Clique aqui e saiba mais.

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