Taxista com carro adaptado conta sua experiência trabalhando com pessoas com deficiência

Oferecer acessibilidade e mobilidade para as pessoas é um direito fundamental, mas nem sempre é assim, nós pessoas com deficiência sabemos que a luta por acessibilidade e inclusão é longa e continua. E para conquistar a mobilidade e o direito básico de ir e vir com respeito e segurança também foi assim.

Desde 2015, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, orienta que pelo menos 10% da frota dos táxis das cidades brasileiras sejam adaptados para pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idosos. Com isso, muitos municípios lançaram editais de licitação para promover a aquisição de veículos adaptados.

Em Porto Alegre, por exemplo, desde 2016, 85 carros adaptados circulam pela cidade. E esse processo seguiu para as demais grandes cidades do estado.

Já Novo Hamburgo, situada a 43 quilômetros da capital, possui cinco táxis adaptados. Alexandro Antoni, conhecido como Sandro, trabalha como taxista há 24 anos “trabalho desde 1996, comecei no ponto do antigo Kastelão, hoje ponto do Big”.

Ele conta que em 2015, quando a prefeitura lançou a licitação para táxis adaptados resolveu investir nesse mercado “não tive dúvidas em investir em um carro adaptado para pessoas com deficiência física, via ali um mercado promissor, mas o investimento na adaptação era alto, R$ 32 mil, e mais o carro em torno de R$ 60 mil, sem nenhum desconto ou incentivo do governo”. Conta.

Sobre o processo de aquisição do carro, explicou que não teve direito a isenções “quanto ao desconto na compra do veículo na primeira compra com alvará de permissionário não tem direito a isenções, na próxima compra tem direito sim, mas somente na compra do carro, na adaptação não.” Relata.

Além de Sandro há outros quatro carros adaptados em Novo Hamburgo “eu aqui no Hospital Municipal, um no Hospital Regina, outro no Centro Administrativo, um na Rodoviária Nova e na estação NH”. Realidade bem diferente das cidades vizinhas que, por exemplo, São Leopoldo e Ivoti contam com apenas um veículo adaptado.

Sobre a demanda ele conta que se surpreendeu “foi uma grande surpresa, mais que o esperado, deu para pagar o investimento tranquilo.” Relata.

Segundo ele, para haver mais veículos adaptados é preciso que os governos tanto municipal, estadual e federal revisem a política de acessos a isenções como o Crédito Acessibilidade, caso contrário o investimento é muito alto.

Dimensões

Os carros utilizados como táxis adaptados, são veículos comuns, que passam por adaptações para ter a possibilidade de receber uma cadeira de rodas ou outro equipamento de locomoção utilizado por uma pessoa com deficiência.

Basicamente as características desses veículos são:

  • Traseira com rampa antiderrapante ou plataforma eletro-hidráulica, que suporte até 250kg;
  • Banco dianteiro giratório, para facilitar o embarque e desembarque de pessoas com dificuldades de locomoção;
  • Piso rebaixado, para ajudar no processo de embarque e desembarque, além de dar mais estabilidade à cadeira de rodas durante o trajeto;
  • Cintos de segurança de três pontos;
  • Dispositivo que iniba a partida do automóvel se as portas estiverem destravadas.

Jovem escritora autista lança seu primeiro livro de poesias

A Poesia Para os Poetas Mortos é o primeiro livro da jovem autista Bianca Estrela, de 16 anos, que mora na cidade de Jacareí/SP. Bianca conta que escrever para ela é uma paixão “eu escrevo desde que fui alfabetizada, desde os 9 anos de idade. Escrever é uma necessidade, foi a minha primeira forma de comunicação e a maneira que eu encontrei de me libertar, de gritar ao mundo que eu existia, de falar as pessoas que eu sentia, de ser uma pessoa extraordinária dentro de cada verso.” Relata.

Sobre o livro, ela explica que o nome é uma referência ao filme Sociedade dos Poetas Mortos. E expressa várias percepções sobre seu cotidiano “escrever é a única luz que eu encontrei, a poesia me salvou e nas palavras eu encontrei o meu lugar.” Conta.

Para quem quiser adquirir o livro A Poesia Para os Poetas Mortos, que custa R$ 15,00, ele estará disponível na Amazon a partir de sábado (08) ou com a própria Bianca através do Instagram, ou via depósito bancário. Ela disponibilizou seu e-mail biancamontemor81@gmail.com e seus dados bancários: Agência: 2571-2 – Conta: 2609-3 – Variação 51 – Conta poupança / Banco do Brasil, desta forma é possível fazer o depósito na conta e enviar o comprovante via e-mail que ela envia o e-book.

A publicação do livro é para ajudar Bianca a realizar seu sonho de cursar Direito na Universidade de Buenos Aires (UBA) na Argentina “com o dinheiro do meu livro, irei ajudar meus pais a pagar a minha assessoria para eu estudar na Argentina e realizar o meu sonho”. Relata.

O motivo de ir para Argentina é a qualidade do ensino “o sistema educacional de lá é muito bom, e eu sempre fui muito esforçada”. Finaliza.

E se a nota de R$ 200 tivesse estampada uma pessoa com deficiência?

Na última semana, o governo federal, por meio do Banco Central, informou que até o final de agosto estará em circulação no Brasil a nota de R$ 200. Ela será a primeira nova nota de real lançada nos últimos 18 anos.

A nova nota terá estampada o lobo-guará, animal símbolo do cerrado e conhecido como “Semeador do Cerrado”. Ele está presente em áreas abertas no centro do Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia.

Mas a nota de R$ 200 também ganhou uma série outras personagens, que vão desde a Pablo Vittar, Neymar e outros artistas. E outros animais como o cachorro caramelo, símbolo dos vira-latas brasileiros, até bois, cobras e o quero-quero característico do pampa gaúcho.

A gente não poderia ficar de fora dessa, então imaginamos como seria a nota de R$ 200 se ela estampasse pessoas com deficiência. Inicialmente, a ideia era usar influenciadores, mas depois resolvemos representar diferentes deficiências e focar nos nossos entrevistados e parceiros. O objetivo disso é dar visibilidade para a causa da pessoa com deficiência e mostrar que temos valor e potencial para estar em qualquer lugar, inclusive, em uma nota de dinheiro.

Ter pessoas numa nota não seria novidade, pois ao longo da história diversos políticos, líderes e personalidades estamparam as notas do Brasil.

Foto: Divulgação/ Uol

Para isso, escolhemos sete pessoas com deficiência que fazem parte da nossa história. Confira o resultado:

Sarah Santos, é formada em comunicação pela UFMS, e vive na cidade de Campo Grande. Ela a internet como uma ferramenta de inclusão e discussão sobre vários temas.

Ivan Baron, é hoje um dos principais influencers e ativistas políticos da causa da pessoa com deficiência.

Ketullyn Danielly Silva tem deficiência auditiva e usa o Instagram para falar sobre a sua relação com a deficiência e auto-estima.

Gigante Léo, foi um dos primeiros entrevistados da #ColunaDeficiênciaemFoco, é um grande talento do humor brasileiro e representante das pessoas com nanismo na mídia.

Luis Antonio tem autismo, em 2019, foi eleito mister Itajaí/SC, além da carreira de modelo ele busca quebrar paradigmas sobre o autismo.

Nicolly foi a primeira bebê com Síndrome de Down a conquistar o Miss Mundo. Ela é de Campo Grande/MS e faz sucesso nas redes sociais.

Paulo Fabião é jornalista, escritor e humorista. Tem um olhar afiado sobre o cotidiano e as questões que envolvem a causa da pessoa com deficiência.

Rafael Ferraz Carpi depois de uma acidente tornou-se tetraplégico. Desde então se tornou ativista da causa da pessoa com deficiência. É jornalista e criador do site Jornalista Inclusivo.

Hamilton Oliveira, tetraplégico desde 2010, é criador de um dos mais importantes blogs do Brasil relacionados a causa da pessoa com deficiência, o Casadaptada.

Gostou do post? Acha que faltou alguém? Deixa ai nos comentários quem também poderia estampar a nova nota de R$ 200

Professor Romeu Sassaki conta sobre seu projeto Sociedade Inclusiva

Com mais de 60 anos trabalhando em prol da inclusão das pessoas com deficiência, Romeu Sassaki, de 82 anos, é a maior referência brasileira quando se fala em conteúdos sobre inclusão.

Professor Romeu é formado em Serviço Social, além disso, é professor, palestrante, tradutor e autor de diversos livros e artigos. Ele também é especialista em áreas como educação inclusiva, reabilitação, emprego apoiado, legislação e inclusão no mercado de trabalho. Sua produção rompeu as fronteiras do Brasil sendo reconhecido em países como Estados Unidos, Itália, Reino Unido, Japão e Espanha.

Ao longo desses mais de 60 anos de trabalho, Sassaki contribuiu para produção de conteúdos sobre acessibilidade, terminologias, defesas de direitos, entre outros temas. Para compartilhar esse conteúdo, Romeu criou o projeto Sociedade Inclusiva.

Ele nos contou sobre como surgiu a ideia do projeto Sociedade Inclusiva “ela surgiu aos poucos ao longo da última década. Nesse período, observei que recebia frequentes solicitações de artigos de minha autoria e nem sempre pude enviá-los por diversos motivos, entre os quais a falta de tempo para localizar determinados artigos no meu acervo e o fato de que o meu antigo notebook foi roubado junto com outros equipamentos e aparelhos onde eu guardava textos, fotos, vídeos etc. Meu desejo de atender aqueles pedidos foi crescendo e sempre fiquei ponderando sobre os meios que eu deveria desenvolver para disseminar meus textos. Até que o meu filho, Roger Sassaki, me sugeriu investirmos na plataforma “Apoia.se” como o meio mais prático, veloz e confiável de receber apoio financeiro coletivo para pagar os custos de pesquisa, produção e envio dos meus artigos. Roger e eu estabelecemos uma parceria: eu entro com a pesquisa e a redação dos conteúdos temáticos e ele contribui com a aplicação da tecnologia digital para formatar os conteúdos. Estamos trabalhando cerca de 4 horas por dia, todos os 7 dias da semana, no nosso Projeto chamado “Romeu Sassaki Sociedade Inclusiva”.

Sassaki também avaliou a evolução das políticas de inclusão “tanto as práticas da implementação do conceito de inclusão, quanto os  ordenamentos jurídicos sobre a inclusão e o desenvolvimento de políticas de inclusão passaram e continuam passando por ondas de aceitação, entremeadas por ataques de rejeição à inclusão, ao longo dos exatos 30 anos de luta por uma sociedade inclusiva em todos os campos de atividade humana. As vitórias têm sido frequentes em todo o mundo, inclusive no Brasil. Claro, sempre existiram e existirão pessoas que não aceitam as práticas, os ordenamentos jurídicos e as políticas de inclusão.” Explica.

Para finalizar, professor Romeu fala sobre o que precisamos para ter uma sociedade inclusiva de fato “precisamos de mais pessoas, mais organizações públicas e particulares, mais envolvimento dos três Poderes da nação, todos unidos pelo mesmo objetivo de conseguirmos incluir todas as pessoas .com deficiência em todos os contextos da sociedade. É claro que todas estas pessoas e organização precisam de recursos financeiros para trabalhar pela inclusão. Boa parte dessa união de esforços e de orçamentos já vem acontecendo parcial e lentamente nos últimos cinco anos. Deveríamos acelerar tais avanços o mais cedo possível.” Finaliza.

Para conhecer e apoiar Sociedade Inclusiva, clique aqui.

Campanha AME o Enzo busca recursos para tratamento de bebê com Doença Rara

#PraTodosVerem: Na imagem está Enzo, um bebê de pele branca e cabelos castanhos. Ele está deitado e usando um respirador com detalhes em amarelo. Foto: Arquivo pessoal/Divulgação.

O pequeno Enzo Gabriel Nunes Jung, natural de Novo Hamburgo/RS, tem 1 ano e 5 meses e luta contra o tempo para conseguir arrecadar R$ 9 milhões para fazer um tratamento nos Estados Unidos.

Enzo tem Atrofia Muscular Espinhal (AME) do tipo 1, o grau mais grave da doença, e caso não consiga fazer o tratamento poderá ter sequelas graves ou mesmo falecer.

De acordo com a mãe Natália Teixeira o diagnóstico de Enzo aconteceu aos três meses de idade “quando ele tinha três meses mais ou menos, notamos que ele tinha um esforço respiratório e não firmava a cabeça e o tronco, fomos ao neurologista e ele disse que o Enzo estava bem, que ele era preguiçoso.” Conta.

Porém, a família seguiu buscando encontrar o motivo para essa dificuldade respiratória e por não firmar a cabeça e o tronco “15 dias depois fomos a fisioterapia e lá tinha uma pediatria que examinou ele, falou que o Enzo apresentava hipotonia muscular e insuficiência respiratória e nos encaminhou para o hospital. Lá fizemos muitos exames até chegar o resultado onde descobrimos que era AME.” Explica.

Desde então, a família iniciou uma verdadeira saga para arrecadar o valor para o tratamento do Enzo “temos contas bancárias, fazemos rifa, pedágios, vendemos copos, camisetas e cuias personalizadas”. Relata, Natália.

Além disso, eles lançaram uma vaquinha virtual para arrecadar recursos. Enzo precisa dos R$ 9 milhões para fazer uma terapia genética chamada Zolgensma, que não é aprovada no Brasil, por isso, a necessidade de ir para os Estados Unidos.

Para tentar retardar os sintomas da AME, Natália conta que ele Enzo faz uso do Spinraza, que é o único medicamento legalizado no Brasil e que é obtido via SUS. No entanto, ele apenas paralisa a doença, já a Zolgensma poderia dar uma condição de vida melhor ao Enzo.

Além de arrecadar o valor, a família também entrou com um processo judicial para tentar conseguir o tratamento, medicamentos e equipamentos necessários para manter ele estável, porém, não há tempo para esperar, desta forma, as campanhas e doações são fundamentais para que Enzo possa melhorar sua condição.

Como ajudar

Além da vaquinha virtual a família aceita doações financeiras nas contas bancárias abaixo, e também, é possível adquirir números da rifa para o kit chimarrão e assinaturas na petição online na qual eles buscam o tratamento via Zolgensma. Para doar ou assinar a petição clique aqui.

Sobre a AME

De acordo com o Instituto Nacional da Atrofia Muscular Espinhal (INAME), a AME é uma doença genética de herança autossômica recessiva com incidência aproximada de 1 em cada 10 mil nascimentos vivos.

Os neurônios motores são as células que controlam as atividades musculares essenciais como andar, falar, engolir e respirar. Eles ligam a medula espinhal aos músculos do corpo. Uma pessoa nasce com todos os neurônios motores que ela terá durante toda a sua vida. Neurônios motores são células que não se regeneram. Ou seja, quando eles morrem, não se desenvolvem novamente.

 Os neurônios motores precisam de uma proteína chamada SMN (proteína de sobrevivência do neurônio motor), que é o seu “alimento”. Sem quantidade adequada da proteína SMN, os neurônios motores morrem. Como são eles os responsáveis pelo controle da atividade muscular, a sua morte leva à fraqueza muscular e à perda progressiva dos movimentos, até a paralisia. Informações retiradas do site do INAME.

Bolsonaro veta que terceiros retirem remédios do SUS

Medida afeta pessoas com deficiência hipertensos e idosos, que não poderão indicar outros para retirar os medicamentos, o que impulsiona a circulação delas nas ruas.

#PraTodosVerem: Na foto, da esquerda para a direita está a primeira-dama Michelle Bolsonaro de máscara, acompanhada de Bolsonaro sem máscara. A foto mostra os dois sentados. Foto: Divulgação/internet

Bolsonaro vetou que terceiros possam retirar remédios nas farmácias do Sistema Único de Saúde (SUS) em nome dos pacientes que estão em grupo de risco do novo coronavírus. O veto está na Lei 14.028/20, sancionada na terça-feira, 28.
O artigo que foi vetado autorizava que os pacientes que estavam em grupos e faixas da população suscetíveis e vulneráveis à contaminação pela covid-19, como as pessoas com deficiência, poderiam indicar terceiros para retirada de medicamentos.
Como justificativa, o presidente afirmou que a medida pode limitar o acesso da população aos medicamentos de uso contínuo, uma vez que atualmente não há nenhuma exigência para a retirada dos remédios que possuem risco.
Assim, pessoas dos grupos de risco da covid-19, como hipertensos e idosos, e pessoas com deficiência não poderão indicar outros para retirar os medicamentos, o que impulsiona a circulação delas nas ruas.
A lei, portanto, facilita os pacientes que tomam remédios por garantir prazo indeterminado às receitas de medicamentos sujeitos à prescrição e uso contínuo.
A regra não vale apenas para medicamentos de uso controlado. Estes terão as exigências atuais, com a receita em duas vias e prazo de validade de 30 dias.
O prazo é adotado por gestores públicos a fim de planejar a aquisição dos medicamentos  a serem fornecidos. A lei vai evita que estes pacientes tenham que recorrer a novas consultas médicas para receber suas receitas.

(Informações da Agência Câmara) e Revista Exame

COMO ME TORNEI UM “JORNALISTA” INCLUSIVO?

#PraTodosVerem: Na foto está Antonio Silva, um homem branco, de cabelos pretos e barba longa. Ele veste uma camisa preta e calça jeans e segura um microfone na mão esquerda. Está sentado. Foto: Rafael Severo/Divulgação.

Escolher uma profissão nem sempre é uma tarefa simples. Ainda mais quando dizem “é isso que você vai fazer o resto da vida”. Tenso, né? É uma escolha e sua vida está toda direcionada. Errado! Podemos e devemos mudar sempre que acharmos necessário.

Minha escolha pelo jornalismo se deu pelo fato de gostar de escrever, mas também por eliminar do meu radar tudo o que tivesse cálculos, fórmulas e planilhas, aí só sobrou direito, comunicação, filosofia, história e sociologia. Mas, como eu achava que não tinha talento para a docência, resolvi escolher o jornalismo.

Queria ser jornalista esportivo, estar perto do meu clube, acompanhar jogos de futebol, entrevistar técnicos e jogadores, de certa forma, fui, mas logo descobriria algo maior e assustador. Assustador porque haviam poucas pessoas com deficiência no meu curso, na verdade três, duas e eu. E mais assustador ainda ao olhar para o mercado e quase não ver pessoas com deficiência trabalhando na área.

E isso me despertou uma curiosidade, pois era óbvio que pessoas com deficiência estudavam jornalismo, era lógico que deveriam haver jornalistas com deficiência. Então comecei a pesquisar sobre, e aí nasceu meu tema de pesquisa, sem saber iniciava o Trabalho de Conclusão de Curso dois anos antes da formatura.

E foi ali que descobri que as pessoas com deficiência queriam e buscavam um espaço para conhecer seus direitos, reclamar da ausência deles, e contar suas histórias. Inicialmente criei um grupo no Facebook chamado “Deficiência em Foco”, pois como o próprio nome diz, eu estava focado em entender sobre deficiências e pessoas. A ideia era usar o grupo apenas para a pesquisa do TCC, mas as coisas começaram a crescer e decidi criar uma página com o mesmo nome, e nela comecei a postar conteúdos sobre leis e direitos, de forma lúdica e com linguagem acessível, deu tão certo que ainda me surpreendo com o que já fiz lá, com o alcance que ela tem e a diferença que faz na vida das pessoas.

Mas para chegar aí sofri um pouco, tive que aprender muitas coisas novas, termos, leis, fazer uma descrição da imagem, criar layouts inclusivos… Enfim, sigo aprendendo e seguirei assim pelo resto da minha vida.

Coloquei a palavra jornalista em aspas, porque ainda não me sinto um jornalista propriamente, apesar de formado, ainda sou um aprendiz da função. Talvez um dia eu posso dizer que sou JORNALISTA e também INCLUSIVO, por enquanto, eu sigo tentando ajudar de alguma forma.

Coluna originalmente publicada no blog Casadaptada

Governo apresenta plano para pessoas com deficiência durante pandemia

#PraTodosVerem: Na foto estão ministros do Governo Federal, no centro está a Ministra Damares, do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Foto: Arquivo/Governo Federal – Divulgação

O governo federal apresentou nesta segunda-feira (6) as ações que têm sido realizadas para reduzir os impactos da pandemia do novo coronavírus em pessoas com deficiência e doenças raras. O plano de contingência envolve iniciativas de diferentes pastas e foca ações econômicas, de saúde, de educação e de proteção social.

“Nenhuma pessoa com deficiência ficará para trás. Nesse tempo de pandemia, é todo mundo cuidando de todo mundo”, afirmou a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), Damares Alves, durante a cerimônia no Palácio do Planalto.

A cerimônia marcou também o dia em que a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI) completa cinco anos e contou com a assinatura de decreto direcionado aos 45 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência. O texto institui um grupo de trabalho interinstitucional que irá propor o modelo único de avaliação biopsicossocial da deficiência.

Além do MMFDH, integram o plano de contingência o Ministério da Saúde (MS), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), o Ministério da Educação (MEC), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Secretaria Especial de Trabalho e Previdência do Ministério da Economia, a Casa Civil – por meio do Programa Pátria Voluntária – e o Ministério da Defesa (MD) – por meio do Projeto João do Pulo.

Saúde

De acordo com o balanço apresentado pela ministra, entre as medidas adotadas desde o início da pandemia, está a vacinação prioritária de cerca de 7,4 milhões de pessoas com deficiência, incluídas na fase da campanha nacional de vacinação contra a gripe de 2020. 

Também haverá o repasse de mais de R$ 7 milhões para a compra de equipamentos de proteção individual (EPIs) para cerca de três mil profissionais de 207 unidades de acolhimento e centros dia públicas e estatais, que atendem pessoas com deficiência. Além disso, segundo a ministra, foram elaboradas cartilhas, cards e vídeos acessíveis com informações sobre o novo coronavírus e orientações gerais e específicas para cada grupo de deficiência e com doenças raras, alcançando aproximadamente 14 milhões de pessoas. O governo também produziu material com orientações a todos os profissionais de saúde que atuam com pessoas com deficiência.

Ouvidoria 

Outro ação do plano é a oferta de chat online e atendimento em Língua Brasileira de Sinais (Libras) pela Central Única de Atendimento da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, que reúne os serviços oferecidos pelo Disque 100, Ligue 180, site e aplicativo Direitos Humanos Brasil. Com isso, pessoas surdas, que se comunicam por Libras, também passaram a poder receber esse tipo de atendimento. 

“A Ouvidoria apresenta dados e diz que as pessoas com deficiência estão em quarto lugar em relação a registro de violação de seus direitos. Hoje, as pessoas podem ser atendidas no chat ou por videochamadas. O atendimento não é feito por robô, é feito por humanos que darão atendimento adequado, de acordo com a emergência das pessoas com deficiência naquele momento, seja um tipo de violência, uma violação, um sofrimento ou uma agressão”, explicou Priscilla Gaspar secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Governo Federal.  

Outra medida que integra a lista de ações é a do lançamento em versão acessível de documentos oficiais. Dentre eles, a cartilha Direitos Humanos dos Brasileiros no Exterior no Contexto do Covid-19 e a cartilha Informações sobre o Auxílio Emergencial, da Caixa Econômica Federal.

O mapeamento, por meio de formulário, do perfil e das necessidades de aproximadamente mil entidades que atendem e acolhem pessoas com deficiência e doenças raras também está contemplado no Plano de Contingência, segundo a ministra Damares.

Proteção econômica

Na área econômica, o plano de contingência destaca o orçamento de R$ 10 milhões para subvenção econômica do financiamento de tecnologia assistiva e regulamenta procedimentos adotados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para a modernização de seus sistemas. Também foi regulamentado e antecipado o pagamento de R$ 600 pelo período de até três meses para 178 mil pessoas com deficiência inscritas no Benefício de Prestação Continuada (BPC), mas que aguardavam na fila pela aprovação do pedido. 

Em outra medida, o governo informa que adiou, por 180 dias, o cronograma de bloqueio de pagamentos e de suspensão do BPC para beneficiários que não realizaram a inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), que beneficiaram 134 mil pessoas com deficiência.

Fonte: Agência Brasil

Qual a opinião das pessoas com deficiência sobre o coronavírus?

#PraTodosVerem: Na foto mostra uma mulher branca de cabelos pretos longos, ela está sentada em frente a uma janela e está usando máscara. Fim da descrição. Foto: Divulgação

Geralmente nós pessoas com deficiência já somos afetados rotineiramente pela falta de acessibilidade e inclusão. Mas ao mesmo tempo, estamos cada vez mais presentes em diversos ambientes, porém, ainda temos um longo caminho para vencer a invisibilidade social.

Diante do cenário do novo coronavírus, e nesse momento de pandemia, onde vemos poucas iniciativas governamentais pensadas para as pessoas com deficiência, vemos crescer a invisibilidade, a ausência de garantia de direitos.

A falta de informação adequada e a dificuldade de acesso a políticas públicas pode agravar o estado de pessoas com deficiência afetadas pela pandemia e também fazer com que serviços essenciais sejam enfraquecidos.

Além da prevenção, é preciso pensar em uma comunicação que tenha como princípios básicos acessibilidade e diversidade que seja capaz de atender as especificidades dos tipos de deficiência: físicas (mobilidade reduzida), sensoriais (deficiência visual e auditiva), intelectuais (acessibilidade na compreensão) e mentais (transtornos psíquicos e de comportamento). Cada uma delas demanda acessibilidade da informação e da comunicação, por exemplo. Tais estratégias, portanto, devem considerar, a partir do princípio da equidade, as necessidades específicas de cada pessoa com deficiência.

Também deve-se considerar a especificidade de cada deficiência, quando pensamos em medidas de prevenção e contenção, como o distanciamento social e o isolamento pessoal, podem ser impossíveis para alguns grupos, visto que eles precisam de cuidados para comer, vestir-se ou banhar-se. Nestes casos, a presença física de um contato próximo é indispensável. Por outro lado, o isolamento social, para quem tem dificuldade com alteração de rotina, como é o caso de pessoas que tem o espectro autista, foi pensado de forma que minimize os impactos emocionais e respeite o comportamento dessas pessoas?

Diante desses cenários tão diversos no dia 09 de junho, lancei uma enquete no instagram @deficienciaemfoco com uma série de perguntas sobre o vírus e como isso afetou as pessoas. Ao longo das 24 horas 227 pessoas votaram:

Quanto a pandemia te afetou – Muito 59% | Pouco 41%

Em relação a tua deficiência – Não me atrapalhou 53% | Atrapalhou 47%

Quanto ao isolamento social – Não tô gostando 62% | Tá tranquilo 38%

Quanto a sua saúde mental está irritado, estressado… – Sim 80% | Não 20%

Em relação ao vírus – Tô com medo 68% | Tô tranquilo 32%

Você acredita que pós-pandemia viveremos melhor? – Não 55% | Sim 45%

Uma das perguntas que mais recebemos é como passar por esse momento preservando a nossa saúde mental. A psicóloga e psicanalista Patrícia Stankowich, explicou no episódio do podcast + Inclusão da Rádio CBN Maceió que “somos seres sociais, necessitamos de interação e trocas, inclusive da aprovação do outro”. Explica.

Diante disso, esse momento de isolamento pode ser extremamente prejudicial, pois é preciso encarar a realidade e os efeitos dela “é preciso encarar a realidade e os efeitos dela”, e para isso é fundamental não ficar parado “isolamento não significa estagnação, tente produzir, se exercitar, trabalhar”. Alerta.

Cabe ressaltar também que não existe uma receita para passar por esse período “apandemia e o isolamento não atinge de todos de forma igual”, e por isso, é importante manter ou buscar um acompanhamento psicológico”. Finaliza.

Ouça o Podcast +Inclusão:

Dica de filme: O Contador

No filme o ator Ben Affleck, interpreta um contador autista

O filme “O Contador” que tem como protagonista o ator Ben Affleck, parecia ser mais um bom filme de ação que estaria mesclado a uma profissão não tão entusiasmante, a contabilidade. No entanto, de logo de cara, tive uma grata surpresa, Christian Wolff é autista.

Conforme explicado pelo próprio ele tem uma forma leve de autismo que afeta suas atividades (não conseguir parar sem terminar uma tarefa) sensibilidade à luz e sons. O filme é predominantemente de ação, visto que Christian é contador de várias organizações criminosas, mas usa o dinheiro que ganha para apoiar instituições e pesquisas voltadas a área de neurociências.

O pai tem um papel fundamental na história, um oficial do exército, que se nega a colocar o filho em uma escola “especial” para crianças com a mesma condição dele. E resolve treiná-lo para desenvolver suas habilidades. É possível questionar as decisões do pai, porém, ele tem papel fundamental na construção do Christian contador, atirador e especialista em lutas.

Assista o trailer:

Características comuns aos autistas como uma concentração fora do comum, dificuldade de expressar alguns sentimentos, dificuldade de socialização e traumas familiares, como o abandono da mãe, marcam a trajetória do contador.

Outro ponto importante do filme se passa na escola “especial”, pois o diretor tem uma filha com autismo e apresenta pontos importantes para desmistificar sobre essa condição ressaltando que todos nós temos habilidades e que só precisamos de tempo e condições para expressá-las, e que a sociedade de forma geral, precisa entender que não há um “igual” ou “normal” a ser seguido e que são as diferenças que fazem do mundo o que ele é.

O filme está disponível na Netflix.

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